terça-feira, 11 de setembro de 2012

Filmes inesquecíveis/ Chaplin: o maior, ontem e sempre

Segundo o Filmow, eu tenho 38 dias, 8 horas e 10 minutos de filmes inéditos assistidos. Durante esse tempo, filmes bons, medianos ou mesmo os ruins, me transportaram do mundo da realidade a outro cheio de possibilidades; através deles e com eles pude sair da minha vida durante algumas horas e vivenciar várias histórias, rir, chorar, me importar, vibrar com personagens que de tão próximos parecem velhos amigos.

Com certeza eu não seria a mesma se não tivesse, aos 8 anos, recebido duas fitas VHS com o filme Titanic, que foi o início para que toda as aventuras seguintes se tornassem possíveis. Daí em diante, pude viver várias vidas, viajar a lugares diversos, conhecer os costumes dos outros cantos do mundo, viver épocas com as quais só posso sonhar, viajar em mundos paralelos, acompanhar viagens científicas das mais malucas e imprevisíveis, viver num mundo onde as máquinas dominam; em outros, onde sonhos são os portais para se descobrir os segredos dos homens e fazer conspirações, enfim... e tudo isso para buscar respostas, soluções, ou apenas para fugir de ter que buscar essas respostas, para fugir de mim mesma e no fim me encontrar novamente. Na verdade, seja para quem gosta de filmes apenas para se distrair e dar boas risadas ou para cinéfilos, a vida seria ainda mais agoniante sem o cinema, e definitivamente sem graça alguma.

Tudo isso pra dizer que, pelo menos uma vez por semana, pretendo separar alguns filmes que, na minha modesta opinião, se tornaram inesquecíveis, e que eu acho que as pessoas deveriam assistir em algum momento da vida. Fiz isso no último post que dediquei ao blog, com o filme As Horas, e pretendo dar prosseguimento. Além de compartilhar com alguns possíveis interessados, é uma forma de alimentar o blog com mais frequência e mais um pretexto para eu me deleitar sobre os meus filmes favoritos, em cuja lista tem de Titanic a Violência Gratuita. Por motivos óbvios, não vou incluir filmes de que já falei aqui em outras oportunidades, como Sr. Ninguém ou A Pele que Habito, embora sejam filmes que eu recomendo com toda a certeza. Isso dito, espero que influencie a quem interessar possa; em último caso, terá sido um prazer escrever sobre os meus "filmes-tatuagem". ;)

Lights, Camera, Action!

O segundo filme a encabeçar essa lista à la "filmes que você deve ver antes de morrer", é a minha homenagem ao homem que eu desejaria muito, mais muito, muito mesmo, dar pelo menos um abraço e agradecer por todas as risadas e lágrimas derramadas: Chaplin. Porque às vezes eu acho que tudo o que a vida quer da gente é coragem para dar boas gargalhadas na cara dela. E Chaplin sabia fazer isso como ninguém.

Sem dúvidas, a parte mais difícil é escolher apenas um filme de sua extensa obra, que contém desde filmes extremamente divertidos, datados principalmente do início de sua carreira, a filmes mais intimistas, que refletem alguns momentos difíceis pelos quais passou. De antemão, aviso logo que toda a filmografia de Chaplin vale a pena, e se você nunca viu um filme de Chaplin, não sabe o que ta perdendo. Infelizmente muita gente tem preconceito contra filmes antigos e em preto e branco, o que é uma pena, pois principalmente para quem gosta de comédia Chaplin é mil vezes mais engraçado do que muitas dessas comédias hollywoodianas meia boca de hoje em dia.

Um de seus filmes mais conhecidos por aqui deve ser Tempos Modernos, em que seu personagem mais famoso - Carlitos, o Vagabundo - vive um operário que entra em crise nervosa devido a sua rotina de trabalho, fazendo uma crítica social muito bem humorada do modo de vida do proletariado. Assim como em Tempos Modernos, em suas obras Chaplin ministrava doses muito bem equilibradas entre o drama e a comédia e assim passava sua mensagem à sociedade, sempre com muito carisma e atento às transformações pelas quais esta passava e às suas consequências. E mesmo anos e anos depois o seu talento é indubitável, aliado a sua coragem de, através da sua obra, expressar sua visão aguçada e avançada sobre o caminho que a humanidade estava percorrendo.

E nessa esteira, um de seus filmes de que mais gosto, justamente por sua coragem ao ser um dos poucos a enxergar o que realmente estava acontecendo com o mundo e se posicionar contra, é O Grande Ditador, de 1940, em que, com muita inteligência faz uma excelente paródia satirizando o nazi-fascismo que na época avançava, ao comando de Hitler e Mussolini, alternando cenas de comédia envolvendo os dois líderes e o drama dos guetos invadidos. Claro que pagou muito alto por sua irreverência: encabeçou a lista negra de Hollywood e foi banido dos EUA, para citar algumas das perseguições que sofreu.



Sinopse: em O Grande Ditador, Chaplin faz o papel de dois personagens: Adenoyd Hynkel, um ditador alemão, e um barbeiro judeu que vive em um dos guetos aterrorizados pelas tropas. Como os dois são sósias, em um dado momento são confundidos.

Merece ser visto: porque as cenas em que Chaplin, no papel de Hynkel, dança com um globo terrestre e a do discurso final deveriam ser obrigatórias para todos. Porque fazer filmes satirizando Hitler em plena década de 1940 é para poucos.

Chaplin na clássica cena em que satiriza Hitler e sua obsessão em dominar o mundo.
Abaixo, um aperitivo:



P.S.! como os filmes de Chaplin são antigos, fica difícil achar nas locadoras de bairro (as que ainda resistem, pelo menos) e algum link funfando na internê. Mas agora que o Youtube liberou filmes inteiros para compartilhamento, tudo ficou mais fácil e algumas almas elevadas postaram filmes completos de Chaplin para nossa alegria =D tem Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Cidade e até os mais antigos, como O Garoto. Oba!!!







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