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| Cartaz do filme "O Artista" (Filmow) |
Desde que a lista de indicados ao Oscar 2012 foi divulgada, tornaram-se cada vez mais crescentes e calorosos os comentários e as críticas em torno de O Artista, que concorre com 10 indicações, e é apontado como o favorito para a premiação deste ano e já abocanhou muitos prêmios importantes, inclusive nas categorias em que concorre ao Oscar (como a de Melhor Ator). Quando li pela primeira vez sobre O Artista, imediatamente fiquei ansiosa pra vê-lo. É um daqueles filmes que, mesmo antes de ver, você tem certeza absoluta de que vai amar - e ainda assim suas expectativas são superadas. Adoro filmes antigos, amo a fotografia em preto e branco e não tenho absolutamente nada contra filmes mudos, que o diga a maravilhosa filmografia de Chaplin, a qual tive o prazer de conferir por completo.
Em O Artista, no final da década de 20 dá-se a grande novidade da transição do cinema mudo para o falado. Como já retratado em outras obras - Cantando na Chuva (Singin' in the Rain,1952), por exemplo - tal transição exigiu um processo de adaptação pelo qual nem todos os astros e estrelas do cinema mudo conseguiram passar. Algumas muitas estrelas se apagaram durante este período, e é o caso de George Valentin (Jean Dujardin, que possui uma semelhança incrível e fascinante com Gene Kelly!), que se recusa a fazer parte do mundo falado do cinema após tanto tempo de consagração junto ao público nos filmes mudos. Como consequência ele acaba no esquecimento, ao passo em que Peppy Miller, jovem figurante a quem George ajudou a conseguir papéis importantes, torna-se uma atriz de sucesso dos filmes falados.
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| Jean Dujardin e Bérénice Bejo em "O Artista" (AdoroCinema) |
Em poucas palavras: uma maravilhosa e inesquecível homenagem aos tempos idos do Cinema. Nem tenho certeza das palavras certas para expressar o que significa, em pleno século XXI, em meio a tantas inovações nas salas de cinema, assistir a um filme mudo e em preto e branco. Ouvir o silêncio. É uma experiência estética que todos deveriam se permitir a ter. O Artista é um filme feito para ser contemplado onde ele pertence: numa sala de cinema. Tive uma grata surpresa ao ver que a minha sessão estava cheia, e que as pessoas se encontravam encantadas ao final da projeção e com comentários animados sobre o filme. Do meu lado, particularmente, não vi nenhum sinal de cansaço ou entendiamento dos meus companheiros espectadores. Pelo contrário, eles riam com as caras e bocas de Jean Dujardin ou com o adorável cachorrinho na tela.
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| Jean Dujardin em "O Artista" (AdoroCinema) |
A reconstituição da época é incrível. Os atores (até então desconhecidos por mim) são ótimos - e devo dizer que Jean Dujardin e Bérénice Bejo dançando juntos me lembrou demais Gene Kelly e Debbie Reynolds em Cantando na Chuva!! - a parte técnica do filme é perfeita, assim como roteiro, direção... com certeza não sou a primeira a dizer que o filme presta uma grande homenagem ao Cinema, mas uma vez que ele funciona perfeitamente em todos os aspectos que o compõem, é o mínimo que se pode dizer. Merece o prêmio máximo só por ter sido feito, mas vamos ver como a Academia o receberá amanhã. Porém uma coisa é certa: de mãos vazias é que não será.
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| Jean Dujardin e Bérénice Bejo em cena de "O Artista" (AdoroCinema) |




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