Alguns dos indicados, como Meia-Noite em Paris e A Árvore da Vida estrearam nos cinemas brasileiros no ano passado, mas a grande maioria só chega por aqui entre o final de janeiro e poucas semanas antes da cerimônia (que acontecerá em 26 de fevereiro). A exceção é Tão Forte e Tão Perto, cuja estreia no Brasil só deverá ocorrer em março. Uma pena, pois o trailer me deixou com muita vontade de conferi-lo em primeira mão no cinema e de preferência que fosse antes da cerimônia.
No início de janeiro estreou Cavalo de Guerra, drama conduzido por Spielberg. Nesta última semana do mês foi a vez de Os Descendentes, drama familiar estrelado por George Clooney, do diretor Alexander Payne, vencedor do Oscar pelo roteiro de Sideways. Ainda não conferi o do Spielberg, mas para compensar assisti ao de Payne logo na sua estreia.
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| Cartaz do filme "Os Descendentes" (Filmow) |
A história de Os Descendentes não faz um grande filme, por assim dizer, mas em poucas linhas cumpre bem aquilo que se dispõe a fazer. É verdade que não é preciso uma história extraordinária e mirabolante para que surja a partir daí um filme notável, e que enredos simples podem sim formar filmes esplêndidos. Mas também é verdade que o tema central desse filme traz mais do mesmo e pelo menos não é o meu candidato favorito.
Na trama, Clooney interpreta um pai afastado da mulher e das filhas, mais concentrado nos negócios, cuja esposa acaba de sofrer um sério acidente de barco e entra em coma. Esta situação inesperada, acrescida do fato de que a grande propriedade da família no Havaí está para ser vendida, faz com que ele busque uma reaproximação com as filhas e com seus parentes familiares.
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| Cena de "Os Descendentes" (Adoro Cinema) |
É um bom drama de família, bem do jeito que A Academia gosta, com determinadas "lições" ao longo da história. Mas essa não é uma observação depreciativa, não. Drama é um dos meus gêneros preferidos, e os familiares em especial também me agradam. Acredito que o filme vale a pena ser visto e não sei quanto a indicação ao Oscar, mas por outro lado não acho que seja uma indicação não-merecida.
Um dos aspectos mais favoráveis de Os Descendentes talvez seja o fato de que o protagonista consegue aproximar-se do espectador, despertando nele uma empatia que o estimula a acompanhar a história, torcendo pelo seu bem. Muitos dos sentimentos demonstrados pelo personagem de Clooney encontram aceitação da parte da plateia, que assente e imagina que sentiria o mesmo se estivesse em seu lugar, ainda que tomasse atitudes diferentes. Outro aspecto notável é que, apesar de se tratar de um drama envolvendo conflitos familiares, o filme não carrega um tom sombrio ou desanimador, como é característico em películas com temática parecida, mas pelo contrário, sustenta um tom leve praticamente o tempo todo. Afinal, nada na vida é tão devastador assim.
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| George Clooney em cena de "Os Descendentes" (AdoroCinema) |
Porém, há umas inserções que, a meu ver, foram realmente desnecessárias. O elenco no geral está ótimo e dá conta perfeitamente do tom leve do filme, embora sem perder a seriedade do drama. Não havia a necessidade, por exemplo, do personagem Sid na história. Ele é totalmente dispensável, assim como as cenas em que aparece, visivelmente para introduzir um ar descontraído e arrancar algumas risadas da plateia. Como pontuei, o filme já não tem uma carga dramática muito pesada por conta de seu enredo e do entrelaçamento da questão imobiliária com a trama central do roteiro. A inserção deste personagem e de suas "cenas engraçadas", portanto, só faz quebrar a linearidade do filme. Há mesmo uma cena em que Clooney conversa com este personagem e minha vontade era de poder apertar o botão FF para a próxima cena importante do filme.
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| Cena de "Os Descendentes" *(AdoroCinema) |
No mais, é um bom filme. Apesar de não trazer nada de realmente novo, é uma abordagem diferente, num cenário diferente (Havaí), com um elenco diferenciado - trazendo, pelo menos para mim, a grata surpresa que foi ver a atuação de Shailene Woodley, que no filme faz a filha mais velha de Clooney. Reitero que vale a pena ser visto, e, se não torço por ele na categoria de Melhor Filme, não posso dizer o mesmo quanto à de Melhor Ator. Embora, é claro, ainda seja um pouco cedo para fazer as apostas. Que venham as próximas estreias!




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