A história é muito conhecida até mesmo por aqueles que nunca viram o filme (como eu até então não tinha visto): Michael Myers, com seis anos de idade, assassina brutalmente a sua irmã mais velha na noite de Halloween de 1963, na cidade fictícia de Haddonfield. Passa a infância e adolescência num sanatório, mas, 15 anos depois, numa mesma noite de Halloween, consegue escapar e foge justamente para sua cidade natal, para fazer novas vítimas - e encontrar aquela que se tornaria o seu principal alvo: Laurie Strode (Jamie Lee) - e para onde corre também o seu médico, única pessoa que sabe de fato do que o Myers é capaz.
E essa é, basicamente, a história do filme. Tudo muito simples, incluindo o seu orçamento (diz-se, até, que os atores iam filmar com as roupas de casa, para economizar com o figurino). No entanto, rendeu milhões de dólares nas bilheterias e tornou Michael Myers o mais célebre assassino em série do Cinema; logo depois, surfando na onda do sucesso, vieram as continuações (as quais eu ainda não assisti), que trazem maiores detalhes sobre os principais personagens, além, é claro, de um remake, que trilham mais caminhos de sangue para Myers.
É curioso assistir a esse filme hoje em dia, depois de já ter assistido a vários outros que beberam escancaradamente dessa mesma fonte - assassino-em-série-mascarado-que-mata-jovens-com-arma-específica-e-vítima-preferida -, como os mais recentes "Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado","Pânico", "Sexta-Feira 13", "O Massacre da Serra Elétrica" e por aí vai... Está tudo aí: o subúrbio tipicamente americano, com suas casinhas lindas, um belo jardim, crianças que brincam de bicicleta, e, claro, os adolescentes que correm perigo sem saber - dentre eles não pode faltar a virgem, a preferida desde sempre dos assassinos mascarados seja com uma faca, com uma serra... - mas, também, tudo com mais climão de suspense do que banho de sangue o tempo todo e sexo que compõem mais de 50% dos filmes de hoje em dia com essa temática.
Com uma trilha sonora que constrói e mantém um clima tenso de suspense ao longo da história, o excelente uso da câmara subjetiva no começo do filme, fazendo do ângulo do pequeno Myers o principal, o clássico do terror "slash", como ficou conhecido o gênero, após mais de 30 anos ainda mantém as deliciosas referências ao estilo do Mestre do Suspense de todos os tempos, Alfred Hitchcock - seja no fato de a protagonista , Jamie Lee Curtis, ser a filha de Janet Leigh (a atriz que protagonizou a antológica cena do chuveiro em "Psicose") ou, principalmente, pela constante posição de voyeur em que se encontra o espectador durante todo o filme - marca registrada de muitos filmes de Hitchcock - e não só o espectador: dentro do próprio filme sempre tem alguém vigiando, bisbilhotando, espreitando... além, ainda, do suspense tão bem construído, que mantém o espectador num clima bem inconfortável, posto que nunca se sabe o que vai acontecer (é, apesar de já sabermos boa parte da história, nem tudo é tão previsível assim nas sequências do filme). E tudo bem que o filme não é exatamente de dar aquele medo, mas olha, eu não pude evitar olhar por cima do ombro quando fui pegar um copo d'água na cozinha.




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